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Revista / Entrevista

Reynaldo Gianecchini afirma: ‘Aprendi a me valorizar’

Mais consciente da própria liberdade, Reynaldo Gianecchini foge das escolhas profissionais óbvias e revela que não entendia sua força

por Fabricio Pellegrino, Pietra Mesquita e Tamara Gaspar Publicado em 07/09/2023, às 13h31 - Atualizado às 15h53

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Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS - FOTOS: MARSOVI
Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS - FOTOS: MARSOVI

O tempo, definitivamente, só tem feito bem para Reynaldo Gianecchini (50). E não estamos falando do homem de meia-idade, cujos cabelos grisalhos lhe conferem ainda mais charme e mistério. Aqui, o tempo diz respeito à sua maturidade e ao processo de autoconhecimento, tornando-o cada vez mais consciente de si, de sua história e de sua liberdade. “A gente passa uma vida se escondendo de nós mesmos e eu me escondia atrás da imagem do fortão. Sempre tive uma força, um otimismo, mas isso não anula minha fragilidade. A gente não pode achar que é super-homem! E aprendi a me valorizar. Eu me cobro muito e não entendia minha força, me sentia um pouco acuado e comecei a entender e reconhecer meu valor”, fala ele, cujo olhar, hoje, lhe permite assumir as rédeas de sua vida sem medos, sem dúvidas e sem preconceitos.

E a fase de maturidade reflete diretamente em seu ofício. Após temporada paulistana, ele desembarca no Rio ao lado de Bruno Fagundes (34) e grande elenco para estrear a peça A Herança, que narra dramas e conflitos de diferentes gerações de homens homossexuais. “A história se localiza na comunidade LGBTQIAPN+, mas fala das dores do ser humano. É importante normalizar vidas e amores, independentemente da sexualidade. Sou desse universo e queria entender melhor as histórias, as pessoas e também me entender. Hoje, falo sobre isso mais abertamente, mas não é em relação à minha sexualidade em específico, mas em relação à liberdade”, avalia o ator, que ainda brilha na série Bom Dia, Verônica, da Netflix.

– Como essa consciência de si mesmo reflete em seu trabalho?

– Estou feliz de chegar aos 50 anos fazendo minhas escolhas com calma e saindo da zona de conforto. Deixar de ter um contrato fixo com a Globo, por exemplo, me deu liberdade de escolher meus projetos. Não cuspo no prato que comi, mas fazer uma novela, hoje, já não me interessa. Você fica sem tempo para a vida pessoal, é uma loucura. Acho que estou ficando velho! Mas não sou fechado, posso voltar a fazer. O que quero é me desafiar em outros lugares. Vou dar até um spoiler: estou envolvido com o canto e a dança.

Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS

– No processo de autoconhecimento, o que você descobriu?
– Eu nunca tinha entendido que tenho uma questão séria com o abandono. Quer me deixar maluco? É marcar comigo e não aparecer. Eu me sinto a pessoa mais rejeitada e abandonada do mundo. Para mim, é falta de empatia combinar algo e não cumprir. Você perde todos os pontos comigo.

– Mas acontece com você?
– Muito! Aí, nem quero ser amigo, sou meio radical, mas é porque mexeu na minha ferida. Uma ferida que nem eu sabia que tinha.

– E como você fica quando termina um relacionamento?
– Não tive muitos relacionamentos na vida, mas já aconteceu de terminarem e eu ficar arrasado. Só fui entender a questão do abandono porque terminaram comigo, fiquei arrasado e não conseguia lidar. E o que é a rejeição? Um não da vida! Então, já fui rejeitado e digo mais: já levei muitos ‘tocos’.

– Como assim?
– Acontece mais isso do que o contrário! Porque eu venho com um pacote todo, as pessoas que se aproximam de mim, primeiro, lidam com a imagem que tenho e, depois, quebram essa imagem para
entender quem eu sou. Mas eu sou pé no chão, sou lá de Birigui, cresci na roça, sou de natureza simples, apesar de a vida ter sofisticado algumas coisas, sou de lá, minha essência está lá, pé na terra. E quem se aproxima não entende isso, para as pessoas é o galã da TV. Aí, ela chega primeiro e com o medo de não dar conta de enfrentar esse cara, ou chega com deslumbramento ou fazendo joguinhos. Os amigos falam: ‘você pega quem você quiser’. E digo: ‘tenho que fazer um exercício para conseguir flertar com alguém, porque não é simples’. Por isso, marcam comigo e não aparecerem, não aguentam.

Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS

– Você comentou que hoje fala mais abertamente sobre as questões de liberdade. Em algum momento foi cobrado por isso?
– Eu nunca me senti obrigado a nada e, hoje, com entendimento e fazendo essa peça, que levanta tantas discussões, fiquei lembrando de como existem militâncias que te cobram. Se a comunidade quer cobrar respeito e acolhimento, tem que acolher a todos. Cada um tem seu tempo e sua sexualidade, não dá para achar rótulos e colocar em gavetas. Apesar de me sentir à vontade, já não quero mais falar sobre minha sexualidade. Cada um que cuide da sua!

– Quando o assunto é o coração, se apaixona com facilidade?
– Não! Primeiro, se formos justificar pela astrologia, eu tenho a Lua em Capricórnio e Capricórnio é o quê? Aquele que checa tudo, que tem o lado racional, é prático. Então, não vou me apaixonar em cada esquina, sou muito racional. Sou muito aberto, sou do afeto, mas vai até a página dois. Para passar dessa página, tenho que entender que existe confiança, uma coisa gostosa entre os dois, que você tem caráter, que o intelecto bate, o jeito de viver tem que ser compatível. Agora, paixonites eu gosto! E gosto de buscar o que a pessoa tem de legal.

– E as pessoas palpitam?
– Não me permito isso. Fui casado com uma mulher 24 anos mais velha do que eu. Conheci a Marília Gabriela e as pessoas me cobravam: ‘como assim ele veio desse mundo de modelos, de gente linda, e não está com uma menininha?’. Quando Marília entrou na minha vida, eu achei ela a mulher mais linda, mais foda, mais tudo! Ela é um conjunto que faz dela uma mulher sensacional e linda. Foi tão avassalador. Nunca pensei, mas rolou de forma espontânea. Foi fluido. E quando eu já estava seguro que queria estar naquele casamento, não me passava pela cabeça o que as pessoas pensavam.
Tinha aquelas pessoas que perguntavam se minha mãe não queria netos! Eu nunca quis ter filhos e
não tinha essa questão. E se minha mãe queria netos, é uma questão dela. Isso é sobre ser você, não tem que corresponder a nada. É tão simples. As pessoas não vivem os seus desejos porque estão sempre tentando agradar. É libertador descobrir que você não precisa fazer isso, que pode ser você!

Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS

– Você sempre foi assim?
– Não! Isso é a maturidade, é uma luta interna. Espero que todo mundo chegue um dia a essa conclusão. É lindo ver a pessoa encaixada em sua verdade, porque tudo que é verdadeiro é confortável, é bonito. Quando é o oposto, é de mentira, fica desconfortável e você não quer se conectar com uma pessoa assim. Está mentindo por quê? A vida passa rápido e eu sei disso...

– Isso faz parte dos aprendizados que teve após o câncer?
– A vida é um sopro. Não tem que se comparar com ninguém, as imperfeições são tão lindas! É bonito ser você mesmo. Na fase da doença, caiu muito a ficha das minhas prioridades!

Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS

Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS

Reynaldo Gianecchini em entrevista na Revista CARAS

FOTOS: MARSOVI; FILMAKER: DIEGO CORDEIRO; BELEZA: LUIS CARVALHO; ASSESSORIA/MANAGER:TATI ZEITUNLIAN; PRODUÇÃO EXECUTIVA: TZ PRODUÇES/ TATI ZEITUNLIAN / NELSON MARTINEZ

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