Recentemente, a influenciadora Gracie Bon viralizou nas redes sociais por um motivo inusitado: seu bumbum. A modelo disse que precisa sentar em duas cadeiras por ter mais de 140 centímetros de quadril.

Ela deixa claro que o seu glúteo é 100% natural, mas que pode estar relacionado à lipedema. “Apenas uma garota GG convivendo com lipedema e abraçando suas curvas”, diz ela, no seu perfil oficial do Instagram.

O que é o lipedema?

Para entender um pouco mais sobre o lipedema, a CARAS Brasil conversou com a cirurgiã-vascular Dra. Aline Lamaita. A méedica esclareceu que ele é uma doença crônica que altera a forma como a gordura é distribuída no corpo, afetando principalmente mulheres.

“Ele provoca um acúmulo simétrico de gordura nos membros inferiores, especialmente quadris, coxas e pernas, com preservação dos pés. Essa gordura é diferente da comum. Ela é dolorosa, resistente à dieta e ao exercício e tende a causar hematomas com facilidade. Por isso, mesmo mulheres com peso adequado ou que emagrecem continuam apresentando desproporção corporal, com volume persistente nos membros inferiores. Fases hormonais como puberdade, gestação e menopausa costumam piorar o quadro”.

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Existe tratamento seguro e eficaz?

A resposta é sim! A Dra. Aline disse que o tratamento clínico do lipedema é eficaz e costuma ser a primeira linha de abordagem. As principais estratégias envolvem fisioterapia vascular com drenagem linfática, uso diário de meias de compressão, prática regular de atividade física de baixo impacto como caminhada e hidroginástica, e orientação nutricional com foco anti-inflamatório.

“Medicamentos também podem ser indicados em alguns casos, para controle da dor e da inflamação. Quando bem conduzido, o tratamento clínico pode melhorar muito os sintomas e a qualidade de vida. A cirurgia, como a lipoaspiração, só entra em estágios mais avançados e com indicação precisa, respeitando a integridade do sistema linfático, ou quando permanece a queixa estética pós a compensação clinica”.

Como diferenciar o lipedema de outras condições médicas?

Diferenciar o lipedema de outras condições é fundamental para evitar erros no tratamento, é o que explica a cirurgiã-vascular. Isso porque, ao contrário da obesidade, o lipedema não responde bem à perda de peso e apresenta acúmulo localizado e simétrico de gordura, poupando o tronco e os pés. A Dra. Aline também falou sobre este ponto.

“Já o linfedema é marcado por inchaço assimétrico, geralmente em apenas um lado do corpo, com envolvimento de pés ou mãos e tendência a endurecimento da pele ao longo do tempo. As doenças venosas, como varizes, podem coexistir com o lipedema e piorar os sintomas, mas isoladamente não justificam a dor ao toque nem os hematomas espontâneos. O diagnóstico é clínico e deve ser feito por médico com experiência em doenças vasculares e linfáticas”, concluiu.

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