por Valença Sotero
Onde quer que ele vá, há um alvoroço. Não foi diferente na Embaixada de CARAS, na charmosa Attendorn, na Alemanha, onde o Rei Pelé (65) se hospedou e pôde descansar alguns dias. Descansar, em termos relativos, porque ele atendeu lá a imprensa internacional, agora ainda mais ávida por suas opiniões. Durante a Copa do Mundo, o craque previu que o Brasil iria perder para a França. Acertou mais uma vez.
As homenagens a esse rei verde-amarelo não cessam. E a legião de fãs aumenta a cada ano. Seus dribles são inesquecíveis e reproduzidos eternamente para deleite de quem gosta do futebol-arte. E, falando em dons artísticos, Pelé também é poeta e compositor. Fez mais uma canção na Alemanha.
Um dos admiradores dos muitos talentos do rei é Thomas Bilsing (35), diretor do Burgo Schnellenberg, onde se instalou a embaixada vip dos famosos. O craque assinou o Livro de Ouro do majestoso castelo medieval, autografou camisetas para toda a família Bilsing e bateu-bola com o pequeno Lewis Bo (2). O mascote Ruben, da raça basset hound, também mereceu a atenção de Pelé, que até se sentou no chão para brincar com o cachorro. Neste momento, lembrou de suas crianças: os gêmeos Joshua e Celeste (9), frutos de seu casamento com Assíria (45). Pelé tem outros cinco filhos adultos e a enteada Gemima (15). De lá, retorna ao Brasil com muita saudade de todos e com mais uma composição para mostrar à família.
– Depois do filme Pelé Eterno e do CD Peléginga, que lançou na Europa, qual será o próxima façanha do rei?
– Minha vida nunca teve uma programação para surpreender fãs. Tudo que aconteceu foi preparado por Deus. É esperar para ver qual será a próxima mensagem.
– E a poesia?
– Não sou poeta, mas gosto de registrar pensamentos, que acabam se tornando músicas.
– Teria alguma novidade para adiantar aos leitores de CARAS?
– Nesta minha última estada na Alemanha, escrevi Meu Guia, que é uma grande mensagem sobre a violência que o mundo enfrenta (Clique aqui e veja a letra).
– Como foi a repercussão do recém lançado CD Peléginga?
– No mercado europeu foi muito bem aceito, principalmente em Portugal. Espero que no Brasil aconteça o mesmo.
– Este sucesso te surpreendeu?
– Foi uma grande surpresa, sim. Afinal, não sou cantor.
– E como ficou a sua popularidade com os intérpretes?
– Com eles, também fiz sucesso. Já prometi músicas para Chitãozinho e Xororó, Leonardo, Sérgio Reis e Jair Rodrigues.
– Outros artistas também já gravaram músicas suas.
– É verdade. Elis Regina, Sérgio Mendes, Wando, Moacir Franco, Maria Alcina e Wilson Simonal. Na década de 70, Cidade Grande fez sucesso com Jair e, na época, fiz parceria com a Elis em Perdão Não Tem, também de minha autoria.
– Aos 65, o que o maior atleta de todos os tempos faz para manter a forma e a saúde?
– Nada de especial. Continuo treinando, quando tenho tempo, lá no time que administro, em Santos, o Litoral Futebol Clube. Quando posso, também corro nas praias de Guarujá.
– E como cuida da alimentação?
– Tenho uma alimentação saudável, mas sem dieta rígida ou restrições específicas.
– Que boas lembranças vai guardar desta sua temporada na Embaixada de CARAS?
– Terei saudade da paz de espírito que encontrei aqui, nesta bela fortaleza medieval. E não esquecerei minhas previsões certeiras dos resultados da Copa.
– Em uma Copa do Mundo, o que provoca maior ansiedade: entrar em campo para defender a camisa do seu país ou estar na posição de torcedor?
– Com certeza a gente sofre muito mais quando está fora decampo, como torcedor.
– E, como torcedor, tem superstições, como usar determinada peça de roupa ou amuletos para dar sorte na hora do jogo?
– Sempre confiei em Deus. Não tenho superstição.
– O que acha de Dunga à frente da Seleção?
– Também fui pego de surpresa. Achei uma atitude corajosa do Ricardo Teixeira. Conheço Dunga. Ele é honesto e de muita personalidade, um líder nato. Foi uma tentativa de renovação e ele tem tudo para aproveitar esta oportunidade. Endosso a decisão.
– Qual o segredo para um time de estrelas brilhar como equipe?
– É necessário que o técnico tenha tempo de ajustar as peças.