por Adriana Pizzotti
De férias da televisão desde o fim da novela Alma Gêmea — trama da qual foi protagonista —, em março, Priscila Fantin (23) finalmente conseguiu diminuir o ritmo que vinha levando há cerca de seis anos e meio. No melhor estilo easy rider—que, segundo ela, costuma reger também a sua vida pessoal —, a atriz embarcou rumo a uma temporada de ócio produtivo na Europa. “Eu precisava muito deste tempo para mim. Estava emendando um trabalho no outro há mais de seis anos e nem sabia mais como era passar alguns dias sem fazer nada. É maravilhoso”, comemorou ela, durante uma visita ao castelo medieval que abriga a Embaixada de CARAS, em Attendorn. Depois da Alemanha — primeira parada do programa —, o tour da atriz incluirá ainda visitas à Holanda e à França. “Eu já conhecia a Alemanha, é um país encantador, principalmente no verão, com esses dias ensolarados. Mas será minha primeira vez em Paris. Estou empolgada”, vibrou ela, que aproveitou o clima aprazível para passear de bicicleta pelos arredores do burgo.
Além da viagem, o bom humor da atriz tem outro motivo muito especial: a aliança de ouro branco e amarelo que recentemente passou a adornar seu dedo anelar esquerdo. “Estava usando outros anéis, para despistar, mas não adiantou”, brincou ela, desistindo de fazer mistério sobre a união com o videomaker Rafael Fahur (24). “É um anel de compromisso, símbolodo nosso relacionamento, que já tem dois anos”, explicou Priscila, com um sorriso acanhado.
O traço de timidez que a atriz demonstra ao falar da vida é o mesmo que pontuou a sua carreira, iniciada por acaso aos 16 anos. A menina, que sonhava ser publicitária, se viu no meio de um teste de elenco e, meses depois, era a protagonista da temporada de Malhação de 1999. “Foi tudo muito intuitivo e rápido demais, jamais pensei em ser atriz. Entretanto, hoje em dia, atuar é um dos meus maiores prazeres”, afirmou. Por ter começado a trabalhar ainda adolescente, Priscila também deu seu grito de independência cedo. Aos 20 anos, foi morar sozinha no Rio de Janeiro sem a companhia da mãe e agente, Silvana Fantin (52). “Ela esteve ao meu lado, me deu e dá todo o suporte necessário. Reconheço que sem ela não sobreviveria, mas chega uma hora em que você precisa ter o seu canto e eu encontrei o meu”, afirmou a atriz, que revela ser uma dona de casa com algumas falhas: “Não levo muito jeito para cozinhar, mas lavo louça como poucas”.
– Você conquistou seu espaço físico e profissional ainda bem jovem e tem uma vida emocional equilibrada. Falta algo?
– Estou em um ótimo momento, garanto que me sinto muito feliz em todos os segmentos da minha vida. Esta é a grande riqueza.
– Mas existe o desejo de constituir uma família?
– Tenho dois sobrinhos, Enzo e Kira (filhos de sua irmã Fabíola), que me dão muitas alegrias. E penso, sim, em ter os meus filhos. Porém, não sou de planejar. Tudo na minha vida veio por acaso, então, quando a vida me mandar, os herdeiros serão bem-vindos. Mas dá para esperar alguns anos.
– Você vive apenas o hoje?
– Não digo que viva apenas o agora. Eu penso no futuro, em como estarei daqui a 10, 20 anos... Mas não faço planos. Se eu ficar planejando muito e as coisas não acontecerem como desejei, me sentirei frustrada. Porém, não sou do tipo que se acomoda, eu corro atrás dos meus objetivos.
– E como, então, acha que estará daqui a 10, 20 anos?
– Pretendo aprender a falar francês, concluir uma faculdade como publicidade, psicologia, biologia ou nutrição; ter mais cachorros (além do basset Yuppie) e estar morando no campo. Gosto muito de tranqüilidade.
– Você já fez papéis dramáticos e cômicos. Há algum personagem que gostaria de interpretar?
– Uma pessoa desequilibrada emocionalmente, um doente mental. Seria um desafio e gosto de desafios. Sou bastante destemida.
– Sem medos?
– Quando eu era mais nova, tinha medo da solidão, mas hoje convivo tão bem comigo mesma que aproveito muito as horas em que estou sozinha. São momentos de reflexão. Além do mais, quem tem medo não vive, não é?
– Durante as férias da televisão, você tem se dedicado a algum outro projeto?
– Eu tinha vontade de fazer dublagem e consegui com o desenho animado Carros, que está em cartaz no cinema. Foi uma empreitada maravilhosa. Costumo fazer também vídeos das minhas viagens, gosto do outro lado da câmera. Um grande desejo seria me tornar produtora, é claro, conciliando com a profissão de atriz.
– Numa escala de 0 a 10, qual o seu grau de vaidade?
– Eu me encaixo no 8. E este cuidado com a aparência veio junto com a minha entrada na TV, já que até então nunca tinha parado para usar um creme e cuidar dos cabelos, por exemplo. Essa mudança foi gradativa, passei a dar atenção primeiro ao rosto, depois ao corpo, aos cabelos e, finalmente, às unhas. Consegui parar de roêlas este ano e isso é uma grande conquista (risos).
– Você é considerada uma mulher muito bonita e sensual. Lida bem com isso?
– Naturalmente. Não tenho pretensão de ser sensual 24 horas.
– E como age diante do assédio?
– Costumo rir das cantadas e o assédio nunca me incomodou, a não ser no início da carreira. Eu tinha 16 anos e não entendia por que os adolescentes me tratavam de forma diferente.
Agradecimentos: Principesca; Produção: Claudio Lobato.
FOTOS: SERGIO ZALIS