por Adriana Pizzotti
Há dois anos, a atriz Daniela Escobar (37) já pensava em diminuir o ritmo de trabalho para se dedicar ao filho, André (8), fruto de seu casamento com o diretor Jayme Monjardim (50). Mas ela caiu de amores pela personagem Irene, a perua consumista de América, e adiou mais uma vez os planos. Mas bastou a trama acabar para Daniela fazer as malas e rumar com André para Los Angeles, nos Estados Unidos. “Aproveitei as nossas férias e fomos para L.A. Já estamos lá há seis meses, ele e eu estudando, dividindo um apartamento e, o que é mais importante, com muito tempo juntos. No Brasil, eu não conseguia me dedicar ao André como gostaria e me sentia culpada. Ele me cobrava e chegou uma hora em que tomei esta decisão. Estamos muito felizes”, diz Daniela, que encerra o período sabático, com cursos de inglês e interpretação, possivelmente em agosto. “Quando a TV Globo me chamar, eu volto”, conta ela, contratada da emissora carioca.
No momento, Daniela, separada de Jayme há cerca de três anos, só tem olhos para o filho. Ela, que há um ano e meio namorou o modelo Tiago Riani (30), revela que o coração está em paz e preenchido. “Eu só penso no meu filho neste momento, ele é o meu hominho, é quem dorme agarrado comigo”, brinca, enquanto observa o herdeiro nos belos jardins da Embaixada de CARAS, em Attendorn, na Alemanha. O sentimento maternal da atriz está aflorado e, segundo a própria, a idéia de ter mais filhos é certeira, mas terá que esperar por alguns anos. “O André começou a pedir um irmão há quatro anos e continua. Eu quero ter outro filho, mas ainda não é a hora”, pondera, abrindo um largo sorriso.
Na Alemanha, onde esteve anos atrás, Daniela se sentiu à vontade, principalmente devido à ascendência germânica pelo lado materno. Ela estudou a história alemã para a minissérie Aquarela do Brasil, exibida em 2000, pela Globo, em que interpretou uma judia que sofreu com os horrores do nazismo. “Eu estudei a fundo o universo do nazismo, li muito, assisti a vários filmes e fiquei com vontade de conhecer um campo de concentração. Ainda não foi desta vez, quem sabe da próxima vez que vier à Alemanha?”, arrisca. A personagem Bela deixou em Daniela uma profunda admiração pela religião judaica. “O símbolo da religião judaica é uma estrela, significa nascimento, isto me fala na alma, vai direto ao coração, além de os rituais serem muito alegres”, conta ela, recém-seguidora da Cabala, estudo místico do judaísmo.
– A dedicação integral ao seu filho é a sua meta neste momento?
– Há algum tempo eu vinha prometendo a mim e ao André que ficaria um tempo sem trabalhar, mas eu não conseguia. Era um trabalho atrás do outro e eu não podia parar, não só pelo aspecto da realização profissional, mas pelo financeiro. Então, quando América acabou, pensei: é esta a hora. Sabia que ficaria um tempo fora do ar e pensei em viajar, o que seria bom para nós dois, já que poderia voltar a estudar enquanto André estivesse na escola. Uma das minhas maiores preocupações era mantêlo na escola. Deixamos o Brasil dias depois do Natal e passamos o réveillon em Los Angeles, só nós dois.
– Por que escolheu os EUA?
– Primeiro por causa do inglês para ambos. André estuda na escola britânica e foi alfabetizado em inglês e português. Seria bom para mim me tornar fluente no idioma e, para ele, aprofundar os conhecimentos. A minha idéia inicial era passar um ano inteiro vivendo para o meu filho, não sei se vou conseguir ter todo este tempo, mas está sendo uma experiência excelente. Eu o levo para a escola e vou para a minha aula, são oito horas de estudo diário para os dois.
– Estudando inglês e interpretação, você pensa em dirigir a sua carreira para o exterior?
– Pensava nisso quando era mais nova, hoje não é a minha meta.
– Sempre quis ser mãe?
– Sempre, mas pensava em ter um bebê depois dos 30. Queria viajar, passear muito. Mas foi só eu engravidar e, nove meses depois, olhar para a cara deste garoto para a minha opinião mudar. Ele é a coisa mais forte da minha vida.
– Você acha que este atual período valerá por uma vida?
– Não tenha dúvida, pelo menos pelos quatro últimos anos em que emendei um trabalho no outro.
– E o que mudou no André?
– Está mais calmo. Em L.A., temos uma rotina gostosa, fazemos os deveres de casa juntos, estou cozinhando, o que não fazia no Brasil. Estou me descobrindo uma chef.
– Você está solteira?
– Estou bem. O foco agora é o André. Eu tive o momento de cuidar de mim por dentro e por fora.
– Quando diz cuidar de você, tem algo a ver com o Tiago Riani, seu último namorado?
– Digo que tenha cuidado de nós dois. O Tiago foi um paizão para o André neste último ano e meio. Como o Jayme trabalha demais e perdeu fases importantes da vida do André, o Tiago acabou suprindo um pouco isso. Como é mais novo e disposto, os dois brincavam de correr, andavam de bicicleta, jogavam bola. O Tiago tinha coisas diferentes a oferecer ao André.
– Você me falou sobre a sua atração por homens mais velhos e o seu último namorado é sete anos mais novo...
– Foi algo atípico, tive que ser muito convencida a dar uma chance. Eu achava impossível, já que nunca nem olhei para alguém da minha idade. Fui casada duas vezes: meu primeiro marido era 11 anos mais velho e o Jayme, 13. Tenho uma alma mais velha.
– E como o Tiago conseguiu quebrar essa barreira?
– Estava há dois anos separada do Jayme e os meus amigos insistindo que eu conhecesse alguém. O André também queria que eu namorasse de novo, queria um irmão, então, um casal de amigos nos apresentou e eu o apresentei à minha prima de 24 anos (risos). Eu dizia: mas ele é um menino! E a amiga que nos apresentou instigava: “Não adianta. Não é na sua prima que ele está interessado, é em você .” Com jeitinho, ele foi conquistando, o mais engraçado que primeiro ao André, depois a mim. E o carinho e a atenção dele para com o meu filho foram fundamentais e definitivos para eu me deixar viver esta história.
– A história nunca acabou, tem volta ou foi encerrada de vez?
– Hoje somos muito amigos, eu estou morando longe e ele sabia destes meus planos. Poucos dias depois que chegamos aos EUA, Tiago foi nos visitar, ficou um tempo, mas voltou por conta do trabalho. A distância acabou nos afastando.
– Mas será que não tem volta?
– Só Deus sabe (risos).
Agradecimentos: Santa Ephigenia, Principesca, John Galliano, Corporeum, Carla Bockel,
Erva Doce; Produção: Claudio Lobato.
FOTOS: ALVARO TEIXEIRA