por Cláudia Boechat
A natureza exerce um forte fascínio sobre Letícia Spiller (33). Principalmente depois que a atriz conviveu com uma tribo indígena e com seringueiros no interior do Acre. A floresta lhe desperta sentimentos especiais. Ao se deparar com a paisagem da mata alemã, em Attendorn, onde fica a Embaixada de CARAS, novas emoções surgiram. O grandioso castelo cercado por bosques de altos pinheiros e tapete de folhas fez com que Letícia experimentasse uma gostosa sensação que mesclou fantasia e realidade. Apaixonada pelo namorado, o editor de som Daniel Mazzuca (32), ela pôde contemplar, ao seu lado, o pôr-do-sol que é sempre um espetáculo à parte e, na Alemanha, nessa época do ano, ocorre por volta das 22h. Diante do romântico show de luzes e cores no horizonte, o casal até chegou à conclusão de que está na hora de ter um filho.
Letícia já é mãe de Pedro (9), de seu casamento com o ator Marcelo Novaes (43), e o menino sempre diz a ela que quer uma irmãzinha. “Por mim, já estaria com um barrigão”, garante. Daniel é mais reticente. “Para você passar de um país a outro, precisa de passaporte; para dirigir um carro, precisa de carteira de motorista; para comprar apartamento, necessita de registro negativo em vários cartórios e fiador. Mas qualquer um pode ser pai. Colocar uma criança no mundo é uma grande responsabilidade, especialmente se você é uma pessoa consciente”, pondera ele para, em seguida, acrescentar com um sorriso carinhoso voltado à amada: “Porém, do jeito que as coisas vão indo entre nós, não vai demorar muito, não”. Letícia, então, se atira feliz nos braços de Daniel.
Os dois se conheceram há oito meses. Ele dava aula de inglês a ela. Ficaram muito amigos até que um dia aconteceu o primeiro beijo. “Demorou. Eu o queria sempre perto de mim. Sabe quando você quer andar de mão dada com o o amigo? Um dia, falei para ele: ‘Você é tão querido, tão fofo, que eu queria te dar um beijo. Mas eu não quero nada além disso, só um beijo na boca.’ E o beijo foi muito bom”, conta ela. Não se desgrudaram mais. Ao serem indagados se é namoro ou casamento, ele responde: “Namoro com sabor de casamento”. Ela prefere “casamento com sabor de namoro”.
Os elogios são mútuos. “Daniel é um gentleman. Uma pessoa boa, de caráter, positivo, alegre...”, diz ela, acrescentando que ele é a pessoa mais madura com quem já se relacionou. O namorado, por sua vez, faz uma bonita declaração: “Letícia é iluminada, tem luz própria. Se está escuro, ela chega e fica claro. Tem uma índole pura, é como uma criança no corpo de uma mulher.”
São muitas as afinidades do casal. “Ela gosta até das costelinhas de porco que eu como!”, revela Daniel. Um dos programas favoritos dos dois é ver, juntos, filmes clássicos. Ele está trabalhando em um longa de Karim Ainouz (40) — diretor de Madame Satã — e Letícia se dedica à edição do documentário Escola da Floresta sobre índios e seringueiros do Acre.
A atriz conheceu a aldeia Ashaninka e viu como os índios mudaram seus hábitos após terem sua terra demarcada por lei. Se tornaram modelo de desenvolvimento sustentável. Viu ainda os problemas decorrentes da invasão de madeireiros nas terras indígenas, o esforço do exército na fiscalização na fronteira com o Peru e como vivem as comunidades seringueiras. Viajou em avião do exército que desceu numa pista de terra no meio da floresta, na cabeceira do Rio Juruá. De lá, seguiu de canoa, visitando povoados. Viveu como os índios: “Tomei banho de rio, dormi no chão numa casa sem paredes. Comi jabuti e pesquei. Foi muito bom”, afirma.
Agora, hospedada em um luxuoso castelo do outro lado do mundo, ela surpreende Daniel entoando distraidamente cantos indígenas. “Sabe aquela ‘alegria sem motivo’ da qual os zen budistas falam tanto? Os índios têm isso. A comunhão com a natureza é o suficiente para eles”, diz a atriz, que compartilha um pouco desse sentimento. “Sei que a minha espiritualidade tem a ver com isso. Não é uma coisa católica, é mais visceral”, explica ela, que vai viver justamente uma seringueira na minissérie de Glória Perez (58) sobre a Amazônia.
A atriz é descendente de austríacos e escuta sua mãe falar alemão desde que nasceu. Contudo, seu vocabulário nesse idioma não vai muito além de Guten Morgen (bom dia) e Dankeschön (muito obrigada). Linda e romântica, mesmo sem falar alemão Letícia certamente desempenharia com louvor o papel de princesa do majestoso Burgo Schnellenberg, que sedia a Embaixada. E até já encontrou o seu príncipe.
Agradecimentos: Martha’s Boutique, Erva Doce, Corporeum, Caroline Rossato, Sta. Ephigênia, Principesca e Richard’s; Produção: Claudio Lobato.
FOTOS: FERNANDO LEMOS