Quem faz 15 anos se torna debutante, do francês...
... débutante, moça que estréia na vida social mediante evento inesquecível, cujo étimo veio do português arcaico escaecer, esquecer. Já fidelizar, tornar fiel, do latim fidelis, é conquistar o cliente para que ele não esqueça a empresa.
por Deonísio da Silva*
Debutante: do francês débutante, debutante, estreante, designando preferencialmente a moça que completou 15 anos e estréia na vida social. Tal evento é celebrado como rito de passagem e os festejos incluem a dança. No turfe, debutante é o cavalo que participa de uma corrida pela primeira vez. Algumas debutantes lançam moda e ganham dinheiro com isso, como fez a americana Mary Phelps Jacob (1891-1970), que em 1914 recebeu, em valores de hoje, cerca de 25 mil dólares pela patente do soutien-gorge, peça do vestuário feminino que inventou para substituir o espartilho. Queixando-se à criada francesa, esta lhe sugeriu que amarrasse dois lenços para segurar os seios, ligando um pano ao outro com uma fita. Peças semelhantes eram usadas pela mulher na Grécia antiga, o mastodeton e o apodesme - em Roma era strofium -, e tinham a finalidade de embelezar a mulher ao manter erguidos os seios.
Inesquecível: de in, prefixo que indica negação, e esquecível, de esquecer, do português arcaico escaecer, escrito também esqueecer. O étimo latino é o mesmo de caecus, cego, indicando que esquecer é deixar de ver, presente na expressão popular quem não é visto, não é lembrado. O publicitário Washington Olivetto (57) lançou este ano o livro O Primeiro a Gente nunca Esquece (Editora Planeta, 365 páginas), para lembrar os 20 anos da criação de famoso comercial sobre o primeiro sutiã. Diversos autores, parafraseando a peça publicitária, escreveram: "O primeiro sucesso a gente nunca esquece"; "A primeira vez a gente nunca esquece"; "A primeira vitória a gente nunca esquece"; "A primeira reeleição a gente nunca esquece". José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, (73), que autorizou o comercial de 90 segundos num intervalo do Fantástico, em 1988, escreveu: "O primeiro Olivetto a gente nunca esquece".
Fidelizar: do latim fidelis, fiel, constante, aquele em que se pode ter confiança, com influência do étimo presente também em fidelidade e em confiança, surgiu este verbo para designar providências tomadas pelas empresas para manter os clientes que conquistaram. Eles recebem tratamento diferenciado, seja na modalidade de atendimento especial, seja em descontos que lhes são concedidos. Um dos maiores especialistas no assunto, o americano Frederick F. Reichheld (56), autor de A Estratégia da Lealdade, defende que, antes de fidelizar os clientes, a empresa deve fidelizar os funcionários. Para tanto, organizou um questionário de 14 perguntas a serem respondidas por quem trabalha na empresa, entre as quais estão: "Você acredita que essa empresa merece a sua lealdade?", "Qual é a probabilidade de você continuar trabalhando nessa empresa daqui a dois anos?" e "A empresa em que você trabalha atrai e mantém excelentes profissionais?"
Quinze: do latim quindecim, quinze, redução de quindecimus, décimo quinto. O 15 é um dos números marcados por indicações de acontecimentos especiais ou efemérides, como o três, o sete, o nove (de que são exemplos as novenas) e o 13. Sexta-feira, 13, é mais do que isso: uma lenda nórdica diz que durante uma festa para 12 convidados, na morada dos deuses, entrou o penetra Loki, espírito do Mal, que matou Balder, o filho do deus supremo Odin. A mãe de Balder chamava-se Friga, origem de friadagr, em noruguês; Friday, em inglês; e sexta-feira, em português. Para afastar os espíritos do Mal, os pagãos davam três batidas nos troncos das árvores, onde acreditavam morarem os deuses protetores. A escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) ampliou os significados de estréia do número ao estrear com o romance O Quinze, em 1930, sem ter completado 20 anos. Míope, usava óculos, o que levou seu pai a dizer: "Com óculos, ninguém olha para minha filha; sem óculos, ela não vê ninguém". O romance apresenta o vaqueiro Chico Bento, o rude pecuarista Vicente e Conceição, sua prima culta, professora, de idéias feministas e socialistas, talvez um alter ego da autora. Ela passa as férias na fazenda da família, com a avó Mãe Nácia, onde vive seu primo Vicente. Com o advento da seca, a família de Mãe Nácia decide ir para a cidade e deixar Vicente cuidando de tudo. Chico Bento torna-se retirante e vai para os seringais do Norte. Ao lado de Vidas Secas, de Graciliano Ramos (1892-1953), e outros, é um dos grandes livros do Romance de 1930.
Inesquecível: de in, prefixo que indica negação, e esquecível, de esquecer, do português arcaico escaecer, escrito também esqueecer. O étimo latino é o mesmo de caecus, cego, indicando que esquecer é deixar de ver, presente na expressão popular quem não é visto, não é lembrado. O publicitário Washington Olivetto (57) lançou este ano o livro O Primeiro a Gente nunca Esquece (Editora Planeta, 365 páginas), para lembrar os 20 anos da criação de famoso comercial sobre o primeiro sutiã. Diversos autores, parafraseando a peça publicitária, escreveram: "O primeiro sucesso a gente nunca esquece"; "A primeira vez a gente nunca esquece"; "A primeira vitória a gente nunca esquece"; "A primeira reeleição a gente nunca esquece". José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, (73), que autorizou o comercial de 90 segundos num intervalo do Fantástico, em 1988, escreveu: "O primeiro Olivetto a gente nunca esquece".
Fidelizar: do latim fidelis, fiel, constante, aquele em que se pode ter confiança, com influência do étimo presente também em fidelidade e em confiança, surgiu este verbo para designar providências tomadas pelas empresas para manter os clientes que conquistaram. Eles recebem tratamento diferenciado, seja na modalidade de atendimento especial, seja em descontos que lhes são concedidos. Um dos maiores especialistas no assunto, o americano Frederick F. Reichheld (56), autor de A Estratégia da Lealdade, defende que, antes de fidelizar os clientes, a empresa deve fidelizar os funcionários. Para tanto, organizou um questionário de 14 perguntas a serem respondidas por quem trabalha na empresa, entre as quais estão: "Você acredita que essa empresa merece a sua lealdade?", "Qual é a probabilidade de você continuar trabalhando nessa empresa daqui a dois anos?" e "A empresa em que você trabalha atrai e mantém excelentes profissionais?"
Quinze: do latim quindecim, quinze, redução de quindecimus, décimo quinto. O 15 é um dos números marcados por indicações de acontecimentos especiais ou efemérides, como o três, o sete, o nove (de que são exemplos as novenas) e o 13. Sexta-feira, 13, é mais do que isso: uma lenda nórdica diz que durante uma festa para 12 convidados, na morada dos deuses, entrou o penetra Loki, espírito do Mal, que matou Balder, o filho do deus supremo Odin. A mãe de Balder chamava-se Friga, origem de friadagr, em noruguês; Friday, em inglês; e sexta-feira, em português. Para afastar os espíritos do Mal, os pagãos davam três batidas nos troncos das árvores, onde acreditavam morarem os deuses protetores. A escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) ampliou os significados de estréia do número ao estrear com o romance O Quinze, em 1930, sem ter completado 20 anos. Míope, usava óculos, o que levou seu pai a dizer: "Com óculos, ninguém olha para minha filha; sem óculos, ela não vê ninguém". O romance apresenta o vaqueiro Chico Bento, o rude pecuarista Vicente e Conceição, sua prima culta, professora, de idéias feministas e socialistas, talvez um alter ego da autora. Ela passa as férias na fazenda da família, com a avó Mãe Nácia, onde vive seu primo Vicente. Com o advento da seca, a família de Mãe Nácia decide ir para a cidade e deixar Vicente cuidando de tudo. Chico Bento torna-se retirante e vai para os seringais do Norte. Ao lado de Vidas Secas, de Graciliano Ramos (1892-1953), e outros, é um dos grandes livros do Romance de 1930.
* Deonísio da Silva (60), escritor, é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, professor e vice-reitor de Cultura da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e autor de A Língua Nossa de Cada Dia e Goethe e Barrabás (Editora Novo Século), entre outros 31 livros, alguns deles publicados também em outros países. Blogue: http://eptv.globo.com/blogecolunistas. E-mail: deonisio@terra.com.br
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