DANIEL CURTE DIAS DE SOSSEGO EM SEU APRAZÍVEL REFÚGIO NO CAMPO

Cantor abre a chácara de Brotas, sua cidade natal, e o coração ao falar de amor e do desafio de ser protagonista de cinema

Marco Pinto / Savona

O cantor apresenta a Chácara Felicidade, no interior de SP, seu lugar preferido para receber os amigos e a família, jogar futebol e descansar.

O cantor apresenta a Chácara Felicidade, no interior de SP, seu lugar preferido para receber os amigos e a família, jogar futebol e descansar.

 
 

por Marília Neves

A simpatia e a alegria contagiantes do cantor Daniel (40) faz qualquer um se sentir em casa ao visitá-lo em sua chácara na cidade de Brotas, no interior de São Paulo. "Esta aqui é a Chácara Felicidade. É um dos meus cantinhos preferidos, onde venho sempre que tenho folga", contou o cantor, enquanto tomava o café da manhã preparado por sua tia, Regina Cantador (54).

"Você acha que vou me casar e abandonar uma vida dessas?", brincou Daniel, ao saborear os maravilhosos quitutes, referindo-se a recente boato de que se casaria com a namorada, a bailarina Aline de Pádua (27), ainda neste ano. "Não entendi de onde tiraram esta história, porque não temos nada marcado", explicou ele, muito feliz com sua história de amor que já dura seis anos.

Com Aline, além de viver um harmonioso relacionamento, Daniel divide as alegrias de sua agitada vida profissional. Em turnê no Brasil com o show Momentos, em que apresenta clássicos de sua carreira e músicas de seu 14o CD, Difícil Não Falar de Amor, o cantor acaba de passar por uma nova experiência de vida: transformou-se no boiadeiro Diogo para o remake de O Menino da Porteira, dirigido por Jeremias Moreira Filho (65), ocupando o papel de Sérgio Reis (67) no original de 1976. "Eu cresci e vivi nesse meio rural, mas esse personagem é complicado. Ele vai de zero a cem nas emoções", explicou Daniel, que grava canções para a trilha sonora do longa, com lançamento previsto para março de 2009.

Entre um compromisso e outro, o sertanejo - que também mantém casa em São Paulo e fazenda na região de Brotas -, abriu a 'porteira' de sua aprazível chácara com exclusividade para CARAS, para uma agradável conversa.

- Como é a experiência de ser um protagonista no cinema?
- Eu havia feito duas pequenas participações como ator, uma com Renato Aragão, no filme Didi, o Cupido Trapalhão, e outra com Xuxa, no Requebra, mas a experiência de O Menino da Porteira foi totalmente diferente. Eu considero realmente o meu primeiro papel, então para mim, foi um desafio. É algo completamente diferente em minha vida.

- Passou por preparação especial para viver o personagem?
- Fiz um laboratório, fiquei me preparando por uns 20 dias. Foi tudo muito rápido, muito intenso, como tudo o que acontece na minha vida. Perdi seis quilos em duas semanas com a ajuda de uma nutricionista, tomei muito sol, passei por sessões de bronzeamento e tive que deixar a barba crescer. Antes, eu não via a hora de tirar porque coçava muito. Mas, agora, me acostumei, então de vez em quando deixo ela grande, depois tiro. Estou mais relax.

- Você se sentiu pressionado por fazer o papel interpretado por Sérgio Reis na primeira versão? - Com certeza foi um peso a mais, até pela importância do filme à época. Quando recebi o convite não parei muito para pensar ao certo o que o trabalho representava. Na hora, só fiquei muito feliz. Depois percebi o peso que isso tinha. E pensei, 'caramba, olha o que eu estou pegando?' - A expectativa do lançamento do filme é a mesma de quando você lança seus álbuns? - Não, desta vez estou ansioso para caramba. Nós gravávamos várias cenas distintas em um mesmo dia, fora da ordem do filme, então não vejo a hora de ver a história pronta. Fico na expectativa de corresponder ao que esperam de mim, que não sou ator. Já, lançar CDs, eu estou acostumado. São mais de 20 anos de estrada. - Você trabalhou no CD paralelamente às filmagens? - Quando recebi o convite, não sabia quando começaríamos a filmar, então adiantei o período em que costumo lançar meus trabalhos. Foi uma sorte estar tudo pronto quando começaram as gravações, porque o cinema é a arte de esperar. Você precisa estar ali, não tem como fugir. Saía do hotel às 5h30 todo dia e ficava lá até as 18h, só parava para almoçar.

- O título do álbum, Difícil Não Falar de Amor, tem alguma relação com sua vida?
- Para todo disco escolhemos uma música-título e que vá ao encontro do que a gente deseja. É difícil não falar de amor no que eu faço. Por isso essa foi a canção eleita, mas não tem nenhuma ligação direta com minha vida pessoal.

- Mas você é um homem romântico, certo?
- Sou suspeito para falar, mas creio que sim. Sou daquele tipo de homem que manda flores, canta para a namorada, manda bilhetes. O romantismo faz parte da minha essência.

- Não pensa em casamento?
- Tudo na minha vida acontece no seu tempo. Por enquanto não tem nada marcado, nada previsto. Pretendo, sim, mas sei que casar implica muitas responsabilidades. Não vou me programar, mas que seja bem-vindo na hora que tiver que ser.

- A idade não pesa quando pensa em ter filhos?
- Não quero cair na neura de que o tempo está passando e terei um filho muito velho. Só tenho certeza, e sempre tive, que vou ter um filho quando puder estar do lado da minha esposa.

- A Aline não tem ciúmes do assédio das fãs?
- A gente tem ciúme um do outro, mas é controlado. Só deu certo porque tive a oportunidade de conhecê-la melhor. Ela foi minha bailarina. Mas, com relação a fãs, nunca tivemos problemas, porque ela sempre soube como era minha vida, e sempre foi muito dedicada ao meu trabalho.

- Entre tantos compromissos de trabalho, você conseguiu unir a paixão pelo esporte a um projeto social, o Daniel Futebol Clube. Em que consiste esse trabalho?
- Esse é um projeto totalmente voluntário, que promove partidas entre artistas e empresários em várias cidades e beneficia diversas entidades. Sempre tive essa vontade de somar e achei que, desta maneira, traria mais resultado do que apresentando shows beneficentes. O público que vai assistir aos jogos ajuda com alimentos, dinheiro, roupas, até bolsa de sangue. Me sinto realizado quando vejo que o projeto se tornou consistente. A estrutura é totalmente profissional. O único que não joga bola lá sou eu (risos). Quero aproveitar que estou com saúde para poder ajudar ao próximo. Isso é muito bom!

- Você se considera vaidoso?
- Tenho que ser, né? Eu gosto de estar bem apresentável. Faço limpeza de pele, passo creme antes de dormir, protetor solar diariamente, mas não tenho frescura quanto a marcas de roupas. Uso o que faz com que eu me sinta bem.

- Considera-se um homem realizado ou ainda falta alcançar algum objetivo?
- Tenho muitos objetivos, mas acima de tudo sou um homem realizado. Sou grato a tudo que Deus me deu, mas acredito que temos que sonhar constantemente.


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