PAULO COELHO ÀS VÉSPERAS DE NOVO SUCESSO

AUTOR FALA DE O VENCEDOR ESTÁ SÓ, OBRA QUE TERÁ DOIS CAPÍTULOS NA PRÓXIMA CARAS

Alvaro Teixeira

O mago relaxa em ambiente clean de seu apartamento, em Paris.

O mago relaxa em ambiente clean de seu apartamento, em Paris.

 
 
Em seu apartamento parisiense, no sofisticado distrito XVI, Paulo Coelho (60) vive dias de excitação. Às vésperas do lançamento de mais um livro, O Vencedor Está Só, o autor recorde de leitura no planeta festeja com sua musa há 28 anos, a artista plástica Christina Oiticica (56), a recém- atingida marca de 100 milhões de livros vendidos no mundo todo. Em agosto, mês de seu aniversário, O Vencedor Está Só será lançado no Brasil e terá dois instigantes capítulos publicados com exclusividade em CARAS. Serão distribuídos com a próxima edição da revista, a de no 770. Em setembro será a vez de os portugueses conhecerem a obra, que só chegará aos leitores de outros países em 2009.

Antes disso, Brida, um de seus maiores sucessos, será lançado em mais de 50 países. Apesar do reconhecimento mundial, o escritor, biografado sem pudores por Fernando Morais (62) no recémlançado O Mago, mantém inabaláveis os hábitos simples e estende a sobriedade ao guarda-roupa, quase todo negro, e à rotina. Ele caminha no mínimo uma hora diariamente, pratica arco-e-flecha, sempre às 18h, dentro do próprio apartamento e, novidade, está nadando. "A natação faz bem para a mente", ensina Paulo, dono de uma casa em Dubai, presente das autoridades locais, e outra nos Pirineus, de apartamento em Paris e no Rio e do mais importante: do seu tempo. "Este é o meu luxo, ser livre."

- Como está às vésperas do lançamento de mais um livro?
- Pareço criança, nervoso como se fosse o meu primeiro livro. É extremamente excitante. Escrevo para o meu prazer, mas claro que faz bem saber que gostam.

- O que o fez escolher CARAS para publicar trechos da obra?
- A maneira espontânea com que CARAS é editada, sem pretensões sociológicas, me levaram à escolha. Propus sem saber se a revista aceitaria a idéia. Os capítulos publicados em CARAS me farão sentir a receptividade da obra.

- Como teve a idéia do tema?
- O Vencedor Está Só analisa a moda e até que ponto você é manipulado por este sistema e por seus criadores. Fala ainda sobre como se constrói uma tendência e qual o efeito da celebridade no mundo de hoje. Foi em um dos festivais de Cannes que comecei a observar o tema moda, cada vez mais importante na sociedade. Vi que o que menos importava ali era o cinema. Ninguém se lembrava dos prêmios dos anos anteriores, só das festas. Fiquei impressionado.

- Do que se trata o romance?
- De cinco personagens durante 24 horas em uma edição do Festival de Cannes. Um deles é uma atriz que quer ser famosa. Falo da busca pela celebridade e do que se é capaz de fazer em nome disso. Há ainda a modelo que sonha em ser famosa. Ali estão os bastidores dos desfiles. Em seguida, temos um serial killer, o 'guia' do livro, um sujeito abandonado pela mulher que se vinga matando. Ele mata para que ela volte e os crimes cessem. Com o personagem do distribuidor de filmes, falo do dilema que acomete o cinema, já que, via Internet, todos conseguem ver tudo. E há o costureiro, um dos personagens centrais, que ficou com a ex do serial killer. Fui a duas temporadas de moda em Paris. Gostei muito dos desfiles de Elie Saab, Fátima Lopes e Karl Lagerfeld.

- Planeja festejar os seus 100 milhões de livros vendidos?
- São 100 milhões auditados, fora as edições piratas. Vou reunir meus editores na Feira do Livro de Frankfurt, em outubro, e o ministro Gilberto Gil. Acho importante celebrar certas coisas, essa é uma delas. E pedi aos leitores, por meio do PauloCoelhoBlog.com, que me mandem fotos posando com o seu livro preferido. Já tenho mais de 200 e vou expô-las em Frankfurt.

- Qual mercado literário ainda falta conquistar?
- O chinês. Nunca fui à Índia e já vendi lá mais de 5 milhões de livros. Na China foram 800000, pouco diante daquele mercado.

- Pode falar um pouco sobre os seus projetos sociais?
- No Brasil, o Instituto Paulo Coelho presta assistência a doentes mentais, dá bolsas-família e ajuda o Solar Meninos da Luz, na favela Pavão-Pavãozinho, no Rio. Para estes vai grande parte dos meus direitos autorais. Além disso, 2% do lucro da venda da minha biografia será doado ao instituto.

- Você tem ido pouco ao país.
- Parece que sim, pois, quando vou, fico na minha, curto os amigos, recarrego as baterias. Vou ao Brasil muito mais que imaginam.

- O que faz no tempo livre?
- Só tenho momentos livres, conquistei o luxo de ser livre. Levanto cedo, caminho, atiro com meu arco, o que é mais uma meditação. Agora comecei a nadar. O resto do tempo tem sido preenchido pela Internet, pela qual faço, acima de tudo, contato com leitores do mundo inteiro. Mas a minha grande diversão é escrever.

- Quais as próximas viagens?
- Veja isso: outro dia sonhei com São Sebastião; no dia seguinte recebi um convite de San Sebastian, na Espanha, e aceitei. De lá vou acompanhar Christina ao Festival de Arte de Saint Moritz, na Suíça. Em setembro, tenho compromissos como Mensageiro da Paz da ONU na República Checa e Alemanha.



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